Educação Sexual
Publicado in Regional Notícias, Diadema/São Bernardo, Ano 2, Edição 15, abril/2004
Cabe aqui ressaltar a importância fundamental da implantação da Educação Sexual no sistema escolar de forma séria e sistemática, a difusão e disponibilização da contracepção de emergência (pílula do dia seguinte) e a revisão da legislação a respeito do aborto.
Educação Sexual não é uma aula de biologia, de aparelho reprodutivo feminino e masculino e concepção, supondo que isso esclareça o risco de gravidez. Tão pouco, são as campanhas de prevenção da aids isoladas que ocorrem no final do ano ou em período de Carnaval.
Educação Sexual é inclusão dos diversos temas que dizem respeito à sexualidade no currículo escolar, de forma sistemática, regular e crescente, conforme as faixas etárias, abordando seus diversos aspectos: fisiologia, anatomia, gravidez, doenças prevenção; mas também e fundamentalmente: comportamentos, estereótipos de feminino e masculino, desejos, medos, dúvidas, prazer, desejos, medos e emoções. Isso sim, permite o desenvolvimento e estruturação da autonomia de cada um, com reflexão para planejar, pensar e escolher sobre suas condutas individuais.
Ou sejam dar Educação Sexual hoje, é tirara milhares de brasileiros, meninos e meninas, homens e mulheres, do analfabetismo sexual, para que possam tornar-se verdadeiramente cidadãos, Vocês já ouviram alguém exercer cidadania tendo 25 anos e quatro filhos, ou engravidando e abortando anualmente, ou com diversos filhos para criar sem creche e com um salário mínimo?
Esse aspecto relevante do exercício do livre arbítrio é e sempre será estruturante: decidir com quem, quando, como onde e quantos filhos cada um deseja ter. Isso planeja toda a nossa vida, principalmente a feminina.
Antropóloga em Saúde e pesquisadora do NEPAIDS/USP
– e Articuladora da REDE CE – www.redece.org