A Busca do Prazer  e Autonomia Feminina

 

publicado in Reginal Noticias, Ano 2, edição 16, maio de 2004. www.regionalnoticias.com.br

 

 

            Muitos tabus têm impedido que as mulheres brasileiras exerçam seus direitos nas áreas da sexualidade e da vida, em geral. Apesar de vários avanços na nossa cultura, ainda existem comportamentos que persistem abalando seu livre arbítrio.

            A antiga idéias de virgindade, exigida basicamente para as mulheres; a responsabilidade pela gravidez e pelo cuidado com os filhos, ingenuidade pureza e castidade, ainda permanecem no imaginário público, deixando muitas meninas vulneráveiss ao não exercício da autonomia em suas vidas.

 

Meninas sim, pois é justamente a cobrança de comportamentos ditos “adequados” que faz com que vivam “paixonites” eternas, inseguranças e busca do príncipe encantado inexistente. Por isso, deixam de conhecer e assumir seus desejos, sua necessidade de carinho e sexo, ao mesmo tempo em que, entregam-se “por amor” a relações sexuais sem proteção, tornando=se alvos fáceis para doenças sexualmente transmissíveis e casos e casos de gravidez não-planejada que interrompem seu desenvolvimento escolar, profissional, de lazer e, por que não dizer, afetivo, já que não podemos esquecer que cresce o número de mulheres sem parceiro, chefes de família, ou seja, sós.

           

Então falar da saúde da mulher brasileira, atualmente, é falar basicamente da saúde sexual e reprodutiva. São as seqüelas que vemos através do aumento de casos de doenças sexualmente tranasmissíveis (DST), incluindo a aids e o abrsurdo número de mulheres infectadas pelo HPV (principal causador do câncer de colo de útero), da grande ocorrência de gestações indesejadas entre adolescentes e jovens, mas também, entre adultas, que provoca a busca acelerada pela eseterilização cirúrgica, incluindo milhares de abortos, em sua maioria feitos na clandestinidade, de forma insegura, principalmente entre as mulheres pobres.

 

Ufa! Esse é o quadro de saúde da mulher brasileria. Pelo menos da maioria delas.

 

Regina Figueiredo

Antropóloga em Saúde e pesquisadora do NEPAIDS/USP

        Núcleo de estudos para a Prevenção da Aids,

        e Articuladora da REDE CE – Rede Nacional

        de Promoção de Informação e Disponibilização

 da Contracepção de Emergência.