O Uso de Métodos Contraceptivos

 

publicado in Reginal Noticias, Ano 2, edição 16, maio de 2004. www.regionalnoticias.com.br

 

 

No Brasil, o uso de métodos contraceptivos por mulheres em idade fértil é bastante alto (cerca de 86%, segundo o Ministério da Saúde), porém ainda percebemos que este uso ocorre muitas e muitas vezes após a primeira gestação ou aborto, ou seja, meninas se arriscam. Arriscam não usando método algum, arriscam utilizando tabelinha beseando-se no ciclo menstrual, arriscam fazendo o chamado “tira fora”, ou coito interrompido.

 

            Isso aponta a ncessidade de, além da Educação Sexual, priorizarmos a disponibilização de métodos contraceptivos para todos, especialmente para esta faixa etária. Atualmente o método mais recomendado é, sem dúvida, a camisinha masculina, mais barata, mais acessível, mais fácil de usar e que também previne contra doenças sexualmente transmissíveis, incluindo a aids e contra o câncer de colo uterino.

 

            Ao mesmo tempo, temos que difundir, dar acesso à contracepção de emergência (pílula do dia seguinte): único método atualmente disponível que previne a gravidez após a relação e, podem ficar sossegados, não é abortiva. A contracepção de emergência permite que demos cobertura a todas as situações de risco: não uso ou falhas de método, já que não nos cabe ficar julgando individualmente responsabilidades, ansiedades, despreocupações e planejamento do sexo, dos milhares de adolescentes que anualmente iniciam-se sexualmente. Afinal de contas, o ser humano não nasceu predisposto à prevenção da gravidez, isso é um aprendizado e o processo de ensino-Aprendizagem leva tempo e possui lacunas, que nós adultos responsáveis temos que encarar e cobrir.

 

            Então, todos devem saber: a contracepção de emergência pode ser tomada até 72 horas após uma relação sexual de risco e tem uma eficácia de 98% para a prevenção da gravidez. Só não deve ser utilizada continuamente, porque o excesso de hormônio, desregula o ciclo menstrual e facilita esta gestação indesejada.

 

            É preciso dar acesso à Educação Sexual, aos métodos contraceptivos, à contracepção de emergência e ao aborto feito de forma segura por médicos dos serviços públicos de saúde, para que no Brasil, a mulher venha a adquirir cidadania plena, exercendo todos os seus direitos sexuais e reprodutivos.

 

Regina Figueiredo

Antropóloga em Saúde e pesquisadora do NEPAIDS/USP

        Núcleo de estudos para a Prevenção da Aids,

        e Articuladora da REDE CE – Rede Nacional

        de Promoção de Informação e Disponibilização

 da Contracepção de Emergência.